Paulo Barroso - Levitação

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Num certo dia ele chegou do norte Trouxe muitas crenças e veio pra um porão Se dizia Luiz Cruz Alfredo Natural de Balsas, lá do Maranhão Guardava medo da cidade grande Mas não tinha onde, como se arrumar Falava em Deus e tinha trinta anos Dois dos quais apenas deu pra estudar Ele tentou de todo jeito a sorte Mas não dava certo de jeito nenhum A cada dia mais que trabalhava Recebia o dobro em forma de jejum Então ele pensou num meio De ganhar a vida e ter mais condição Se inscreveu como fora de série Num dos tais programas de televisão Após dois dias já se anunciava De diversas formas a grande atração Assistam todos ao homem que voa É Luiz Alfredo o homem avião O homem avião na televisão O homem avião é Luiz Alfredo na televisão, é Na televisão, na televisão, na televisão Mas Luiz, coitado, quase se matou Se arrebentou, se arrebentou Quebrou dois braços Mas Luiz, coitado, quase se matou Se arrebentou, se arrebentou Quebrou dois braços Depois da violência Luiz não pode mais Buscou a morte de um oitavo andar Mas ele não morreu Pois permaneceu na força do ar Mas ele não morreu Inda posso vê-lo entre o céu e o mar
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