Yun Joker - 8 de Março

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[Intro: Yun Joker] Look Agora sim, estava a testar, yeah [Verse 1: Yun Joker] Hoje tenho bloqueio social E a partir daqui não dá sequer pra desabafar Acabei um namoro em que achei que iria casar Abandonei a família só para vir aqui estudar A renda é muito alta, meus pais não podem pagar Motivo pela qual eu me meti a trabalhar Mas sem ter residência nada tá a adiantar Às vezes eu nem como e eu nem queria emigrar Eu sofro preconceito por causa do tom de pele Até parece que eu pedi para ser nascida desse jeito Cresci ouvindo sempre que ser negra era uma benção E agora cheguei aqui e dizem que é um defeito E ainda tem um assédio E tem o facto de me chamarem macaco devido ao cabelo crespo Problemas com o género Por ser mulher, uma das minhas maiores dificuldades é conseguir emprego Filas longas pra tratar os documentos Funcionários tratam imigrantes com desprezo Família diz que eu sou o futuro do amanhã A realidade aqui é diferente do Instagram [Verse 2: Antônio Hendry] Já terminei o médio, o quê que eu faço agora? Como toda adolescente, eu sonhei estudar lá fora Eu ouvi o pai a dizer na mãe que a vida tá dura Nós também sonhamos mas a pobreza nos censura E por ser menina, eu preciso manter a postura Eu preciso transpirar pra ninguém me transpirar Pra puder vos mostrar que é possível sem emigrar Ninguém alcança sonhos deitado na cama a lamentar Eu não como é lá do outro lado Mas aqui na banda quase nada tá controlado O sonho era estudar na Tuga ou na Cuba Mas por falta de padrinhos na cozinha ignoraram-me a cuba E o prof disse "vocês podem até estudar" "Mas isso não é garantia que todos vão trabalhar" De tanto cair dominei a arte de se levantar Chorava no quarto para ninguém me ver a lagrimar Forjada na dor e sofrimento Eu continuo em pé mas não sei por quanto tempo aguento [Verse 3: Floweasy DRAYA] Yo, é o Draya Aham, yo Devia ter ouvido a minha tia, "o corpo não é garantia" Os meus pais disseram "ou estudas, ou estudas, são duas vias" Mas foi teimosia com doses de rebeldia Deram-me um teste de urina, e sim, foram duas linhas Não queria ser uma cria que sozinha cria cria, pensa Relação que era parceria se tornou dependência A maternidade interrompeu-me a formação Pra piorar, o meu bebê nasceu com falciformação Tenho a falsa sensação de que isso vai melhorar Não terminei o médio e não tem brilho no anelar Trabalho num bar e os clientes querem o meu body Maldição do corpo de viola, eles querem me tocar "Não chora", sou eu a fazer o meu filho calar Agora o arrependimento quer me matar Na escola eu era a favorita da professora Nas aulas de geografia, eu já fazia história Eu só quis ter opções mas eu tive Falo com Deus porque sozinha eu não vou dar conta disso Hoje, o meu maior conforto é ver que o meu filho vive Mas emocionalmente eu tô a viver um apocalipse (ay) [Verse 4: Ceejay Jr.] Eu nem tive a oportunidade De chegar a ser inserida nessa sociedade de forma digna Quando sem família, os familiares que nem me criam Privam-me de ter escolaridade E eu aprendi a ser uma mãe muito cedo, de filha que não é minha A ser uma amante muito cedo, eu via as minhas amigas Que mostravam-me dinheiro e o poder que eu carrego Tu respiras se te virás quando o rosto é coberto Depois de dias em esquina, fisicamente sozinha Só Deus como companhia à espera que um dji assobie primeiro E com essa guita me tornei mais bonita Mantive o meu corpo em dia e só me vias na entrada do hotel Sendo menor, eu sei que sou um fetiche pra velhos Cá não são erros, são oportunidades Não vejo amor, então, nem vem com sensibilidade Nada é de graça porque até um sorriso podes comprar Vida são escolhas e essa foi a única a tomar Julgas a minha porque podes regressar à um lar Mas não te julgo, é tudo à base de perspectiva Tu não vais escolher a comida de barriga vazia Mas eu me capacito por cada choro, cada grito Cada tiro não atingido, cada livro que foi lido Acredito que me torno numa versão melhor Não preciso que me aceitem pra que aceite a pessoa que sou Hoje crescida e estou distante do sistema A minha luta é não te ver passar pela mesma experiência Para àquelas que acham que essa vida é tudo que as resta Canta a minha história, posso ser uma referir para elas, bela [Outro: Floweasy DRAYA] E eu não posso dar-me o luxo de escolher porque eu tenho o meu filho em casa É uma armadilha pular etapas Por isso, agora eu vivo a correr contra o tempo Algumas escolhas não têm volta Algumas escolhas não têm volta Algumas escolhas não têm volta Algumas escolhas não Algumas escolhas não Hmm, algumas escolhas não Eh, yeah
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