[Intro: Yun Joker]
Look
Agora sim, estava a testar, yeah
[Verse 1: Yun Joker]
Hoje tenho bloqueio social
E a partir daqui não dá sequer pra desabafar
Acabei um namoro em que achei que iria casar
Abandonei a família só para vir aqui estudar
A renda é muito alta, meus pais não podem pagar
Motivo pela qual eu me meti a trabalhar
Mas sem ter residência nada tá a adiantar
Às vezes eu nem como e eu nem queria emigrar
Eu sofro preconceito por causa do tom de pele
Até parece que eu pedi para ser nascida desse jeito
Cresci ouvindo sempre que ser negra era uma benção
E agora cheguei aqui e dizem que é um defeito
E ainda tem um assédio
E tem o facto de me chamarem macaco devido ao cabelo crespo
Problemas com o género
Por ser mulher, uma das minhas maiores dificuldades é conseguir emprego
Filas longas pra tratar os documentos
Funcionários tratam imigrantes com desprezo
Família diz que eu sou o futuro do amanhã
A realidade aqui é diferente do Instagram
[Verse 2: Antônio Hendry]
Já terminei o médio, o quê que eu faço agora?
Como toda adolescente, eu sonhei estudar lá fora
Eu ouvi o pai a dizer na mãe que a vida tá dura
Nós também sonhamos mas a pobreza nos censura
E por ser menina, eu preciso manter a postura
Eu preciso transpirar pra ninguém me transpirar
Pra puder vos mostrar que é possível sem emigrar
Ninguém alcança sonhos deitado na cama a lamentar
Eu não como é lá do outro lado
Mas aqui na banda quase nada tá controlado
O sonho era estudar na Tuga ou na Cuba
Mas por falta de padrinhos na cozinha ignoraram-me a cuba
E o prof disse "vocês podem até estudar"
"Mas isso não é garantia que todos vão trabalhar"
De tanto cair dominei a arte de se levantar
Chorava no quarto para ninguém me ver a lagrimar
Forjada na dor e sofrimento
Eu continuo em pé mas não sei por quanto tempo aguento
[Verse 3: Floweasy DRAYA]
Yo, é o Draya
Aham, yo
Devia ter ouvido a minha tia, "o corpo não é garantia"
Os meus pais disseram "ou estudas, ou estudas, são duas vias"
Mas foi teimosia com doses de rebeldia
Deram-me um teste de urina, e sim, foram duas linhas
Não queria ser uma cria que sozinha cria cria, pensa
Relação que era parceria se tornou dependência
A maternidade interrompeu-me a formação
Pra piorar, o meu bebê nasceu com falciformação
Tenho a falsa sensação de que isso vai melhorar
Não terminei o médio e não tem brilho no anelar
Trabalho num bar e os clientes querem o meu body
Maldição do corpo de viola, eles querem me tocar
"Não chora", sou eu a fazer o meu filho calar
Agora o arrependimento quer me matar
Na escola eu era a favorita da professora
Nas aulas de geografia, eu já fazia história
Eu só quis ter opções mas eu tive
Falo com Deus porque sozinha eu não vou dar conta disso
Hoje, o meu maior conforto é ver que o meu filho vive
Mas emocionalmente eu tô a viver um apocalipse (ay)
[Verse 4: Ceejay Jr.]
Eu nem tive a oportunidade
De chegar a ser inserida nessa sociedade de forma digna
Quando sem família, os familiares que nem me criam
Privam-me de ter escolaridade
E eu aprendi a ser uma mãe muito cedo, de filha que não é minha
A ser uma amante muito cedo, eu via as minhas amigas
Que mostravam-me dinheiro e o poder que eu carrego
Tu respiras se te virás quando o rosto é coberto
Depois de dias em esquina, fisicamente sozinha
Só Deus como companhia à espera que um dji assobie primeiro
E com essa guita me tornei mais bonita
Mantive o meu corpo em dia e só me vias na entrada do hotel
Sendo menor, eu sei que sou um fetiche pra velhos
Cá não são erros, são oportunidades
Não vejo amor, então, nem vem com sensibilidade
Nada é de graça porque até um sorriso podes comprar
Vida são escolhas e essa foi a única a tomar
Julgas a minha porque podes regressar à um lar
Mas não te julgo, é tudo à base de perspectiva
Tu não vais escolher a comida de barriga vazia
Mas eu me capacito por cada choro, cada grito
Cada tiro não atingido, cada livro que foi lido
Acredito que me torno numa versão melhor
Não preciso que me aceitem pra que aceite a pessoa que sou
Hoje crescida e estou distante do sistema
A minha luta é não te ver passar pela mesma experiência
Para àquelas que acham que essa vida é tudo que as resta
Canta a minha história, posso ser uma referir para elas, bela
[Outro: Floweasy DRAYA]
E eu não posso dar-me o luxo de escolher porque eu tenho o meu filho em casa
É uma armadilha pular etapas
Por isso, agora eu vivo a correr contra o tempo
Algumas escolhas não têm volta
Algumas escolhas não têm volta
Algumas escolhas não têm volta
Algumas escolhas não
Algumas escolhas não
Hmm, algumas escolhas não
Eh, yeah
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